Em nome da segurança

Quando o assunto é segurança, não dá para bobear. Por isso, algumas pessoas resolveram blindar o carro para se sentirem mais protegidas. E o que antes parecia privilégio de poucos brasileiros, agora começa a ficar mais acessível, depois que boa parte das peças passou a ser fabricada no país. A expectativa de crescimento para os serviços de blindagem em 2004 é de 5%. ‘‘Antigamente, o consumidor precisava pagar cerca de 45 mil dólares para blindar um automóvel. Hoje, esse serviço custa a partir de 45 mil reais’’, observa o diretor da Totality Veículos Blindados, Luis Martinez. Ele explica que a queda no preço ocorreu porque parte da matéria-prima e das peças utilizadas na blindagem começaram a ser industrializadas no Brasil. ‘‘Antes, tudo era importado’’, lembra. Mas apesar da queda significativa, os preços ainda são salgados para a maioria dos clientes que se interessam pelo serviço. O Toyota Corolla, por exemplo — o carro mais blindado em 2003 — custa em torno de R$ 50 mil. Quase o preço pago pela blindagem mais simples (R$ 46 mil). Dependendo do modelo, o valor pode chegar a R$ 83 mil. Segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), 3.123 veículos foram blindados em 2003, número ainda muito pequeno em relação à frota nacional de cerca de 28 milhões de veículos, mas um número que ajuda a engrossar a lista de mais de 20 mil carros blindados no país — terceiro lugar no ranking mundial, atrás da Colômbia e do México — desde 1987. Mesmo assim, com o começo da nacionalização dos produtos usados na blindagem, a expectativa de crescimento para 2004 é de 5%. No ranking do ano passado, além do Corolla, aparecem VW Golf, Audi A3, Mitsubishi Pajero e Chevrolet Omega. Em Brasília, dados do Detran indicam 71 automóveis blindados e licenciados para uma frota de 750 mil carros. Peso extra Mas nem todos os automóveis podem receber a blindagem, já que o serviço deixa o carro com peso extra que pode chegar a 180kg. ‘‘O ideal é fazer em carros equipados com motor 2.0. Não aconselho o serviço com os modelos 1.0 porque eles ficam muito pesados’’, esclarece a gerente de vendas da Inbrablindados, Irene Sposito, se referindo ao desempenho do carro. Segundo ela, só o vidro corresponde a cerca de 60% do peso extra. Outro material muito usado nas blindagens, o aço, também ajuda a aumentar o peso final. ‘‘Ele é utilizado em colunas, em volta da moldura das portas, fechaduras e espelho retrovisor’’, comenta Irene. Ao contrário da manta de aramida, material muito leve, colocado geralmente na lataria. ‘‘Por ser um tecido flexível, ele se molda com mais facilidade que o aço nas curvaturas do veículo’’, explica. Além deles, o carro pode receber reforços no teto e pára-lamas, e pneus especiais com cintas de aço. Mesmo com toda a resistência dos materiais empregados no processo de blindagem, o consumidor deve tomar as suas precauções por onde andar com o carro. O alerta é do presidente da Abrablin, Franco Giaffone. ‘‘A palavra blindagem passa a idéia de que o carro é à prova de tudo’’. Segundo ele, a pessoa que tem um blindado acredita estar dentro de uma ‘‘bolha’’ e, portanto, imune a qualquer situação de risco. ‘‘O armamento usado pelos bandidos de grandes cidades pode ser mais pesado do que o nível no qual o veículo foi blindado’’, adverte. Fique atento Antes de blindar é necessário pegar uma licença especial do Exército Brasileiro. Normalmente, a própria empresa contratada cuida do processo A licença deve sempre andar com o dono do carro Os interessados podem mandar o automóvel por conta própria para as blindadoras de outras cidades ou pedir que elas levem o carro. O valor do frete é pago pelo consumidor Uma blindagem demora em média 40 dias úteis para ser feita Fonte: Jornal Correio Braziliense – Seção: Veículos – 22/07/2004